Enquanto o gestor anti-Herbalife Bill Ackman sofre novas perdas, Carl Icahn sorri
novamente e adquire direito de adquirir ainda mais ações da empresa

SÃO PAULO - A "novela Herbalife", que dura mais de dois anos e tem como protagonistas
dois investidores bilionários passou por uma nova reviravolta nesta sexta-feira (15).
E o investidor Bill Ackman, que acusa a companhia de operar em um esquema de pirâmide
e chegou a montar posição vendida de US$ 1 bilhão, sofreu um revés após a FTC, ou
Comissão Federal de Comércio dos EUA, determinar que a companhia não opera neste
esquema. Alvo de investigação pela FTC desde 2014, a Herbalife fez um acordo com a
Comissão, que prevê o pagamento US$ 200 milhões e ainda concordou em mudar algumas
práticas de seus negócios, em meio à investigação na qual era acusada de enganar os
consumidores. Apesar do pagamento, a empresa conseguiu evitar uma acusação mais
grave de que estaria operando um esquema de pirâmide.
Esta notícia animou os mercados e as ações da empresa chegaram a disparar 21,66% na
NYSE (New York Stock Exchange), a US$ 72,22. Durante o dia, as ações diminuíram os
ganhos, mas fecharam esta sexta-feira em alta de 9,92%, a US$ 65,25.
Com a notícia, Ackman, gestor da Pershing Square Capital, sofreu mais um revés brutal em
seus negócios, uma vez que possui uma posição vendida sobre a empresa. Ele já havia
reportado fortes perdas com o seu investimento contra ela, mas a decisão levou a um golpe
mais acentuado ainda. Porém, na última quinta-feira, o gestor afirmou à CNBC que já previa um acordo entre a FTC e a Herbalife e seguiu confiante quando o
assunto é estar vendido nos papéis, apesar da perda de US$ 20 milhões por ano com a
posição vendida.
"Eu acho que isso vai acabar com o governo processando Herbalife por ser um esquema de
pirâmide, ou Herbalife capitulando e concordando com as alterações [em seus negócios], e,
em ambos as circunstâncias, a ação não vai passar de US$ 60", afirmou ao portal
americano. Porém, ele se enganou sobre a reação do mercado, já que as ações dispararam
na Bolsa, superando os US$ 65,00.
Este movimento é particularmente uma má notícia para os investidores da Pershing
Square. A empresa, que administra US$ 12 bilhões em ativos, sofre fortes perdas líquidas
de 21,1% na primeira metade do ano, de acordo com documentos da empresa.
Enquanto Ackman sofre, outro investidor comemora. Carl Icahn informou que agora tem o
direito de aumentar a sua participação acionária na Herbalife para 34,99%, ante um teto
de 25%, o que também animou os papéis: ele possui atualmente 17 milhões de ações
ordinárias da empresa, ou cerca de 18% do total. Icahn afirma que a empresa tem fortes
fundamentos e que tem total confiança no CEO (Chief Executive Officer) Michael Johnson e
toda a sua equipe, que superou as adversidades, "incluindo a campanha contrária de
Ackman".
Por enquanto, Ackman vem perdendo a batalha para Icahn. Assim, para o gestor da
Pershing, vale esperar por uma nova reviravolta na novela Herbalife.
Fonte http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/5317738/herbalife-nao-piramide-diz-ftc-acao-dispara-ate-dois-investidores